Desrespeito à Justiça, às partes e à lei

Outro juiz classista -- ou vogal, como preferir --, desta vez indicado pela Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg) como representante dos empregadores no Pleno do TRT, teve também seus 15 minutos de glória, bem antes de Márcia Moura.
Em abril de 1980, Odilon Rodrigues de Souza ameaçou pedir demissão do ambicionado cargo. Para espanto dos colegas, ele declarou, numa sessão do Tribunal, que colocara seu cargo à disposição do presidente da Faemg, José Álvares Filho, depois de interpelado pela entidade sobre a adulteração de uma ata do Tribunal, a qual teria sido feita para beneficiar o procurador-regional do Trabalho, Luiz Carlos da Cunha Avelar.
A Procuradoria Regional tinha problemas, como verificou no mês seguinte o corregedor-geral da Justiça do Trabalho, ministro Carlos Alberto Barata e Silva. Havia processos que há mais de 10 meses aguardavam parecer; um "desrespeito à Justiça, às partes e à lei". É o que disse o ministro na ata da correção, publicada no dia 6 de junho de 1980 no Diário Oficial da União.